Assim falava Zaratustra

 
 


Há um filósofo persa, Zaratustra, que viveu no século 6 a.C., e ele dizia uma coisa muito interessante: “Existem alguns momentos na vida de um homem em que ele enfrenta tantas dificuldades, tantos inimigos, que não é suficiente que seja apenas um homem. Ele precisa ser um super-homem”. Este filósofo criou, em sua época, a idéia do super-homem. No século XIX, um filósofo alemão, chamado Friedrich Nietzsche, recuperou a idéia de Zaratustra e fez um livro chamado “Assim falava Zaratustra”. Neste livro ele dizia exatamente isso: “O homem tem que se superar. A vida, daqui para a frente, será cada vez mais difícil, mais competitiva e nós teremos que ser cada vez melhores”. Mas ele dizia algo um pouco diferente de Zaratustra, no seguinte sentido: essa história de ser super-homem não é para todo mundo. Só para alguns. Existem algumas pessoas que serão super-homens e outras que serão pessoas comuns e o mundo será movido pelos primeiros. Os super-homens, inclusive, estão dispensados de alguns dos freios morais porque a humanidade precisa deles para evoluir, para ir para a frente.

Esse livro, inclusive, é muito interessante, mas teve um lado ruim. Ele foi lido por Hitler. Quando Hitler leu que existiam alguns super-homens ele, evidentemente, identificou-se, e achou que poderia fazer qualquer coisa, que estava livre dos freios morais e acabou por fazer o que todos nós sabemos.

Nietzsche é tão reconhecido pelo termo super-homem, que é representado nos livros dessa forma, significando o homem superior, aquele que é capaz de se superar. Curiosamente, na década de 30, nos Estados Unidos, os autores, Jerry Siegel e Joe Shuster, criaram a personagem do super-homem, o Superman, quando os Estados Unidos estavam passando por uma grande recessão. As pessoas não tinham emprego, havia uma desesperança instalada no país e todos esperavam um ser superior, uma espécie de santo, de ET, para resgatar, para salvar as pessoas. Criaram a imagem do super-homem. No entanto, o que Zaratustra queria, de fato, dizer é: O homem precisa transformar-se em super-homem para vencer os seus inimigos, mas estes estão, principalmente, em seu interior.

Veja a importância do auto-conhecimento até para você conseguir conhecer os seus inimigos. E ele falava, especialmente, de quatro inimigos.

A ignorância

A ignorância é um grande inimigo. Especialmente nesta era em que estamos vivendo, a chamada sociedade do conhecimento. Alguém que não amplia os seus conhecimentos, o seu saber, de uma forma permanente, acaba dando espaço para esse seu inimigo interno.

A indolência

O “vou-deixar-para-depois”, a preguiça, o “deixa-para-amanhã”.

Mário de Andrade escreveu Macunaíma, que, curiosamente, transformou-se no herói brasileiro. Vocês se lembram de qual é a frase predileta do Macunaíma? “Ai! que preguiça.” Para qualquer coisa que tinha que fazer ele repetia: “Ai! que preguiça”. E nós somos um pouco assim aqui no Brasil. Complacentes com o deixar para depois: “Vou deixar para amanhã, quem sabe amanhã se resolve sozinho e não será preciso gastar energia”. Por isso é um de nossos inimigos internos.

A arrogância

A pessoa que se acha superior aos outros, que se considera melhor, que acha que já sabe tudo, que não precisa aprender mais nada. Essa atitude arrogante acaba comprometendo seu desempenho.

O medo

Existe o medo que é saudável, que nós temos que ter porque ele, inclusive, nos garante a vida. Se eu não tiver medo, não vou olhar para o lado na hora de atravessar a rua. Não vou fechar minha casa na hora de sair. Claro que nós temos que ter alguns medos que nos garantam a vida. Mas o medo a que Zaratustra se referia é o medo de nós mesmos. O medo de não conseguir, de falhar, do futuro, o medo de viver. E esse medo acaba fazendo com que a gente não progrida, não vá para frente. Está ligado com a baixa auto-estima e a baixa autoconfiança.

 

     
 
 
 
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