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A busca do desenvolvimento integral Eugênio Mussak |
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Quando entrávamos na escola, desde o primário, aprendemos que haviam várias disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, História etc. E começamos a ver o mundo de uma maneira fracionada. Depois de muito tempo, começamos a entender que tudo isso se relaciona, que tudo isso está absolutamente ligado, formando um corpo único de conhecimento. Assim, como também somos um ser integral, essa busca tem interessado a várias instituições, a várias correntes da educação e do desenvolvimento humano. Vou falar sobre uma das funções do desenvolvimento integral do ser humano. Será praticamente um resumo, porque esse tema é muito vasto. Mas antes de começar a tratar, objetivamente, sobre este tema, eu queria fazer uma pequena viagem por um assunto que interessa a algumas pessoas porque, no mínimo, é muito curioso. Imaginem uma planta, uma samambaia. Muitos de nós temos uma samambaia em casa. E essa samambaia é uma planta que despertou a curiosidade de um cientista polonês, que, na verdade, era radicado na França, Benoit Mandelbrot. Na década de 70, ele publicou o livro: “A geometria fractal da natureza”, criando uma nova ordem dentro da matemática, usando esse conceito para tentar entender os seres vivos e criou, então, essa idéia dos fractais. Segundo a teoria dos fractais, os corpos, de maneira geral, apresentam padrões geométricos os quais são encontrados repetidamente em escala decrescente. Dito de outra forma, uma parte do organismo se assemelha ao conjunto total. E Mandelbrot começou a perceber isso, principalmente, quando observava, por exemplo, as ramificações dos galhos de uma árvore, ou uma couve-flor. Ele pegava um pedacinho de uma couve-flor e aquele pedacinho parecia a couve-flor inteira. Assim como um pedacinho de uma nuvem parece uma nuvem inteira. A nuvem é um dos melhores exemplos porque nós podemos pegar uma nuvem e dividi-la em milhão de pedacinhos, que cada pedacinho irá parecer uma nuvem inteira. A samambaia, que o cientista começou a estudar, é talvez um exemplo mais claro. Você olha no ramo de uma samambaia inteira e você nota que esse ramo foi dividido em ramos menores e cada um desses ramos menores é extremamente parecido com o ramo maior. E esse ramo menor é dividido em raminhos menores e assim sucessivamente. As nossas partes interagem e não podem ser separadas umas das outras. E nós não podemos desenvolver uma destas partes sem desenvolvermos as que integram o todo, o que, durante muito tempo, aconteceu. As escolas, por exemplo, tratavam de desenvolver as pessoas intelectualmente e se esqueciam do lado emocional; esqueciam-se do lado físico; esqueciam-se de que nós, na verdade, somos um conjunto de fatores. Então, para seguir dentro dessa analogia, há seis partes importantes que se observam quando nós trabalhamos com o desenvolvimento integral do ser humano. Tudo começa pelo auto-conhecimento – já vamos falar porque o auto conhecimento é importante – ; a questão das relações – as relações das pessoas consigo mesmo e com as outras e assim por diante –; a saúde física; e outras, como a qualidade do pensamento; a busca da excelência; e a gestão, que interessa não só para o nosso trabalho dentro das empresas, mas também para o nosso relacionamento pelo resto da vida. Na verdade, esses seis aspectos que devem ser observados formam uma espécie de “mandala” que, como vimos, faz parte da natureza, podendo ser encontrada em uma nuvem, em uma samambaia e no organismo humano. Vamos tratar sobre cada um destes seis aspectos que interessa para o desenvolvimento humano. |
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