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Sumário
Dado que
é comum encontrar uma associação entre envelhecimento
populacional e dependência, procurou-se questionar esta relação,
avaliando três dimensões das condições de vida
da população idosa : saúde, rendimentos e arranjos
familiares.
Como se viu, as condições
de vida do idoso brasileiro de hoje, 2001, diferem das do idoso de um
passado recente, 1981. Isso permite especular sobre o “dinamismo”
da associação mencionada acima. Reconhece-se, em primeiro
lugar, que a visão acima é uma visão estática
que ignora os grandes avanços tecnológicos, principalmente,
na medicina e na ampliação da cobertura da Seguridade Social.
Tudo isso, embora em graus diferenciados, tem beneficiado uma parcela
expressiva da população idosa brasileira.
Por exemplo, a queda
da mortalidade, conjugada às melhorias nas condições
de saúde provocados por uma tecnologia médica mais avançada,
bem como a universalização da Seguridade Social, maior acesso
a serviços de saúde e outras mudanças tecnológicas,
levaram o idoso brasileiro a ter a sua expectativa de sobrevida aumentada,
reduzir o seu grau de deficiência física ou mental, poder
chefiar mais suas famílias e viver menos na casa de parentes. Os
idosos também tiveram o seu rendimento médio aumentado,
o que levou a uma redução no seu grau de pobreza e indigência.
As mudanças foram bem mais expressivas entre as mulheres, especialmente
em termos de rendimentos, o que se deve à ampliação
da cobertura dos benefícios de previdência rural.
Essas considerações
levam à necessidade de se pensar essa relação entre
envelhecimento e dependência como produto de um único fator
agindo continuamente. Este é um fenômeno bastante complexo
e sujeito à ação de vários fatores em interação.
Um outro problema a ser considerado é a própria definição
de população idosa. Trabalhou-se com o corte etário
de 60 anos e mais para ser compatível com a legislação
brasileira. Isso significa estar considerando como idosas, pessoas cuja
idade pode variar num limite de até 30 anos, o que significa uma
grande heterogeneidade.
Foi visto que as
aposentadorias desempenham um papel muito importante na renda dos idosos.
Pode-se concluir que o grau de dependência dos indivíduos
idosos é, em boa parte, determinado pela provisão de rendas
por parte do Estado. Como uma parcela importante da renda familiar depende
da renda do idoso, sugere-se que quando se reduzem ou se aumentam benefícios
previdenciários, o Estado não está simplesmente atingindo
indivíduos, mas uma fração razoável dos rendimentos
de famílias inteiras. Isso é importante de ser notado porque,
como conseqüência, o perfil do Sistema Previdenciário
construído hoje influirá na distribuição futura
de renda das famílias.
Concluindo, pode-se
dizer que o aumento da longevidade, conjugado com o momento pelo qual
passa a economia brasileira, com efeitos expressivos sobre o jovem, tem
levado o idoso a assumir papéis não esperados, nem pela
literatura, nem pelas políticas. Isso faz com que a associação
entre envelhecimento e aumento da carga sobre a família e o Estado
não se verifique de forma tão direta. |
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