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Introdução
O envelhecimento
populacional é, hoje, um proeminente fenômeno mundial. No
caso brasileiro, pode ser exemplificado por um aumento da participação
da população maior de 60 anos no total da população
nacional: de 4% em 1940, para 8,6% em 2000.(1) Além disso, a proporção
da população “mais idosa” ou seja, a de 80 anos
e mais, também está aumentando, alterando a composição
etária dentro do próprio grupo, ou seja, a população
considerada idosa também está envelhecendo (Camarano et
alii, 1999). Isso leva a uma heterogeneidade do segmento populacional
chamado idoso.
O envelhecimento
populacional significa um crescimento mais elevado da população
idosa em relação aos demais grupos etários. Isso
é resultado de suas mais altas taxas de crescimento, dada a alta
fecundidade prevalecente no passado, comparativamente à atual,
e também à redução da mortalidade. Isso se
traduz no aumento do número absoluto e relativo de idosos, no tempo
vivido por eles, no envelhecimento de certos segmentos populacionais,
como a População Economicamente Ativa (PEA), no envelhecimento
das famílias (crescimento do número de famílias nas
quais existe pelo menos um idoso) e na mudança nos arranjos familiares.
Esse processo
altera a vida do indivíduo, as estruturas familiares e a sociedade.
Por isso, não obstante os dois fatores responsáveis por
ele terem sido resultados de políticas e incentivos promovidos
pela sociedade e pelo Estado e do progresso tecnológico, as suas
conseqüências têm sido, em geral, vistas com preocupação,
por acarretarem pressões para a transferência de recursos
à sociedade, colocando desafios para o Estado, os setores produtivos
e as famílias. Por exemplo, em 1994, um documento do Banco Mundial
afirmava que o aumento da expectativa de vida ao nascer e o declínio
da fecundidade nos países em desenvolvimento estavam provocando
a “crise da velhice”. Esta é traduzida por uma pressão
nos sistemas de Previdência Social, a ponto de pôr em risco
não somente a segurança econômica dos idosos, mas
o próprio crescimento econômico.(2) As próprias Ciências
Sociais se sentem desafiadas no seu papel de buscar uma compreensão
para essa transformação, bem como de fornecer instrumental
para avaliar o seu impacto nas condições de vida e nas políticas
públicas.
Reconhece-se,
no entanto, que o envelhecimento é um processo de perdas biológicas
e sociais, que traz vulnerabilidades que são diferenciadas por
gênero, idade, grupo social, raças e regiões geográficas,
entre outros. É diferenciado também o momento (a idade)
em que elas se iniciam. Tais vulnerabilidades são afetadas pelas
capacidades básicas (com as quais o indivíduo nasceu), pelas
capacidades adquiridas ao longo da vida e pelo contexto social em que
os indivíduos encontram na sua fase de vulnerabilidades. Dessa
forma, políticas públicas podem ter um papel fundamental
na redução do seu impacto sobre o indivíduo e a sociedade.
O caso brasileiro ilustra bem isso.
* Coordenadora da área
de pesquisa em População e Cidadania do IPEA (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada).
1 Como idoso, está se considerando a população de 60
anos e mais tal como estabelecido na Política Nacional do Idoso.
2 Citado por Simões, 1997, p 169. |
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