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“Um passo fundamental ao crédito cada vez mais intenso e sustentável”
Em entrevista exclusiva, o presidente da Serasa Experian e da Experian América Latina, o engenheiro e administrador de empresas Ricardo Loureiro, falou a Executivos Financeiros sobre a aprovação, na noite de ontem (01), do Projeto de Lei do Senado nº 263/04, que após sanção presidencial instituirá o Cadastro Positivo no Brasil.
Em Nova York para atender a um evento de crédito da Experian, Loureiro mostrou-se satisfeito com a iniciativa que, segundo afirma, poderá beneficiar até 70% dos consumidores brasileiros num prazo entre seis e doze meses, interrompendo o que chamou de “socialização da inadimplência dos maus pagadores”.
Ele destacou também a repercussão internacional, principalmente nos EUA e Europa – jornais como o Financial Times assinalaram que o País era o único dentre as vinte maiores economias do mundo e membros do Bric que ainda não haviam adotado este tipo de controle –, e arriscou uma previsão audaciosa: o registro dos consumidores adimplentes deverá reduzir pela metade os índices de inadimplência e as taxas de juros no Brasil.
Confira a entrevista a seguir:
EF: Como o Senhor recebe esta notícia da aprovação no Senado do projeto que institui o Cadastro Positivo?
RL: Estou muito feliz, todos nós da Serasa Experian estamos. Demos um passo fundamental rumo à manutenção do crédito em um patamar cada vez mais intenso e sustentável.
EF: Em sua opinião, este Cadastro implicará, na prática, em redução de custos? Geral ou apenas para os bons pagadores?
RL: Esta é firmemente a nossa crença, principalmente em função do que aconteceu e acontece em outros países, onde este tipo de registro trouxe a oportunidade de se aplicar o pricing de maneira mais ajustada. Isto traz melhores condições para os bons consumidores.
EF: Seria possível estimar o quanto as taxas podem baixar?
RL: Atualmente, temos nos Brasil uma inadimplência residual ao redor de 6%, considerados os atrasos de pagamentos acima de 90 dias. Nossa estimativa é que, na plenitude, este índice pudesse ser dividido por dois.
Assim, com este acervo, os bancos terão melhores condições para a redução também dos juros, que esperamos possa chegar à mesma intensidade da inadimplência.
A gente estuda os riscos da população e, com base nestes dados, acreditamos que o Cadastro Positivo poderia beneficiar 70% dos consumidores. São pessoas que não precisariam pagar uma taxa socializada de juros para cobrir a inadimplência. A única maneira de fazer isto é ter uma abordagem racional em termos de preço.
EF: Analisando as questões da regulamentação e da viabilidade, quanto tempo deverá levar a implantação do Cadastro Positivo?
RL: A regulamentação eu não sei se vai acontecer de fato, parece que estará atrelada ao CDC (Código de Defesa do Consumidor), que é muito complexo, um dos melhores do mundo. Mas considero esta questão secundária neste momento.
Na implementação, temos agora uma curva necessária de adequação por parte das empresas e instituições financeiras. Acredito que um período razoável seria entre seis e doze meses.
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