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Retrospectiva de 2009 e perspectivas para o novo ano: Cadastro Positivo deve alavancar a economia
Sem sombra de dúvidas, 2009 foi um ano financeiramente agitado. Os brasileiros sentiram os impactos da crise, principalmente no primeiro semestre, quando os postos de trabalho diminuíram, e muitos não conseguiram pagar suas dívidas. Os números só não foram piores porque o governo adotou medidas como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos, materiais de construção e produtos da linha branca. A redução aqueceu as vendas e fez com que as indústrias conseguissem manter muitos de seus funcionários.
Com o número de inadimplentes crescendo, a necessidade de o Brasil adotar o Cadastro Positivo veio à tona. Especialistas afirmavam que, apenas quando fosse possível diferenciar os “bons” e “maus” pagadores, haveria crédito mais barato para quem honrasse os compromissos assumidos. Porém, o texto aprovado na Câmara em maio agradou a poucos e não entrou em vigor – ainda aguarda a aprovação do Senado.
Em outubro, a situação começou a melhorar, com a taxa de inadimplência registrando queda de 0,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Para 2010, a expectativa dos especialistas é de crescimento e de dissipação dos efeitos da crise no Brasil. “Haverá um forte crescimento do crédito de boa qualidade, como o que financia imóveis e o aumento de produção”, afirma o presidente da Serasa Experian, Ricardo Loureiro. “Com ele, o consumo avança, a produção acelera e a massa salarial se expande”, completa. R$ 1,7 trilhão é o volume de crédito na economia brasileira este ano, segundo projeções do Banco Central.
Além do crédito, a economia brasileira terá um impulso extra, que fará de 2010 o ano do consumo. Medidas como as desonerações permanentes de IPI, em estudo pelo presidente Lula, bem como o aumento do salário mínimo, contribuirão para o aumento da confiança do consumidor, que deve se predispor a tomar mais empréstimos. O saudável aumento de recursos para a compra de bens deve ajudar a manter em circulação a roda da economia. A soma de expansão do crédito com o emprego em alta, a restauração da produção industrial e o aumento da confiança do consumidor resultam em crescimento.
100 milhões de pessoas, ou 52% da população do Brasil, são os integrantes da nova classe média do País. Segundo a Serasa Experian, o índice de qualidade de crédito nessa faixa está em 83,7, acima da média do País, de 78,2. Francisco Valim, ex-presidente da instituição, que no início do ano assumiu o comando da Experian para Europa, Oriente Médio, África e América Latina, acredita que esse índice deve melhorar ainda mais nos próximos anos, a partir da redução das assimetrias na avaliação do crédito no Brasil, por meio da adoção do Cadastro Positivo, entre outras medidas. “As instituições que oferecem crédito teriam como avaliar melhor o risco, o que reduziria o juro dos empréstimos e incluiria mais pessoas no sistema financeiro do País”, diz Valim.
O crédito torna possível o sonho de milhões de brasileiros, que se rendem ao financiamento para comprar automóveis, apartamentos, eletrodomésticos e até mesmo para viajar. “A gente só fez a dívida porque sabe que conseguirá pagar", garante Simone Keller, esposa do servidor público Luís Fernando de Araújo Vieira, referindo-se ao carro novo adquirido pelo casal. No entanto, manter o crédito em expansão, estimular o crescimento do País, reduzir os juros e evitar que tudo isso estimule a inflação são ações incompatíveis. Para manter firmes alguns dos pilares que sustentam a política econômica, o governo terá de fazer escolhas. “Se o PIB avançar 4,5% ou 5%, haverá inflação. O atual patamar de juros básicos (8,75% ao ano) terá de subir”, prevê José Matias-Pereira, professor-pesquisador associado do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Brasília (UNB).
Para 2010, a prioridade do governo é “normalizar” as taxas do spread bancário no Brasil. Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, chegou a conversar com parlamentares da base aliada para tentar agilizar a aprovação do projeto do Cadastro Positivo em 2009 – no entanto, o projeto de lei que institui o sistema permanece dependendo da aprovação do Congresso Nacional. As estimativas mais conservadoras indicam que, se já estivesse valendo, a medida poderia fazer cair em até 30% os juros cobrados pelos bancos. Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Meirelles também abriu caminho para a adoção de medidas que estimulam a competição entre bancos públicos e privados.
Para ler a íntegra dessas notícias, acesse os seguintes links:
O ano do tri
(Istoé Dinheiro, 23/12/09)
As novas empresas da nova classe média
(Portal Terra / Istoé Dinheiro, 23/12/09)
Retrospectiva: relembre os fatos que afetaram seu bolso em 2009
(InfoMoney, 31/12/09)
Sonhos dos consumidores vêm a prestação
(Correio Brasiliense, 01/01/10)
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