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Banco Credit Suisse e Secif-RJ, além de Lula e Padilha, defendem aprovação do Cadastro Positivo

03/01/2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu recentemente o projeto de lei que cria o Cadastro Positivo, em tramitação no Senado Federal, por acreditar que o sistema beneficiará os consumidores adimplentes. O mercado, no entanto, vê a manifestação do presidente com ceticismo. Isso porque a proposta está parada há um ano na Casa, aguardando votação, mas a promessa já existe antes mesmo do primeiro mandato de Lula.

Para o presidente do Sindicato das Financeiras do Rio de Janeiro (Secif-RJ), José Arthur Assunção, o tema deveria merecer mais atenção, porque poderia ampliar a inclusão de profissionais liberais e informais no mercado de crédito. “Sem contracheques, eles são alvos de taxas elevadas. Se o histórico de adimplência deles fosse levado em conta, eles teriam juros menores”, defende o empresário. “Além disso, a experiência internacional demonstra que o sistema é capaz de reduzir os juros à metade. Esse é um projeto de redução do spread bancário”, afirma.

A aceleração do processo de implantação do Cadastro Positivo vem sendo igualmente defendida pelo ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Ele procurou recentemente os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (SP), para acertar uma agenda de votação comum, entre Executivo e Congresso, e pedir pressa na apreciação das propostas neste ano político encurtado por eleições presidenciais. Além da criação do Cadastro, a agenda do governo inclui a votação do pré-sal, bem como a conclusão de projetos como a nova Lei de Licitações e a definição de responsabilidades da União, dos estados e dos municípios em relação aos impactos ambientais, para diminuir o atraso nos licenciamentos.

O Cadastro Positivo também foi apontado por um estudo do Banco Credit Suisse como um dos fatores que contribuiriam para a transição da concessão de crédito de curto e médio prazo para a de prazo mais longo. Isso porque o sistema permitiria um controle maior da inadimplência. O economista Nilson Teixeira, autor do estudo do banco, afirma, no entanto, que ainda é difícil saber em qual velocidade ocorrerá essa migração de prazos. Além da queda da inadimplência, outros fatores que contribuiriam para a aceleração desse processo seriam o menor custo do dinheiro e a redução de gargalos.

Segundo o Credit Suisse, após desacelerar em 2009, o crédito voltará a se expandir com vigor em 2010, até entrar em um processo de acomodação, com taxas menores de crescimento, a partir de 2011. O banco projeta um crescimento de 24% nos empréstimos neste ano, resultado da demanda aquecida, do aumento da renda e da retomada da economia. A previsão é que o estoque de empréstimo ultrapasse, pela primeira vez, a metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e chegue a 51% no final de 2010 – no ano passado, ficou perto de 46% do PIB.

De acordo com Teixeira, para que o crédito volte a crescer no ritmo anterior, os bancos terão de “reinventar” o negócio de emprestar dinheiro no Brasil – o que levará à migração de financiamentos de prazos curtos para mais longos. As instituições financeiras terão de apostar no financiamento imobiliário e em outras modalidades ainda pouco exploradas, como empréstimos para expansão de empresas.

No estudo, o crédito imobiliário com recursos da poupança deverá crescer em ritmo acima de 40% em 2010. O programa Minha Casa, Minha Vida será o principal canal de estímulo para o setor. O Credit Suisse espera ainda uma redução gradual dos spreads nos próximos anos, estimulada pelo aumento da concorrência dos bancos privados com os bancos públicos.

Para ler a íntegra dessas notícias, acesse os seguintes links:

Lula defende aprovação do Cadastro Positivo
(O Dia Online)

Banco terá de "reinventar" crédito em 2011
(Portal UOL)

Ministro negocia agenda de votação no Congresso
(Agência Estado / Paraná Online)

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